1 de abril de 2010
31 de março de 2010
25 de março de 2010
Significados significantes
Assim que ouviu a voz dela tremeu, olhou nas duas direções do corredor e apesar de sentir dentro dos ouvidos ainda o som do seu nome,era apenas um eco de coisas que já haviam passado. Apenas a imbricação de imagem e conceito. Sem saber, ainda guardava fortemente as imagens acústicas que mantinham-se escondidas na sua memória, porque naquele vazio do corredor somente viviam signos e significados que já haviam morrido num dia de sol e calor moderado.
22 de março de 2010
Nihilismo
Não adianta: eu não nasci pra seguir, nem pra ser seguido.Meus disfarces não escondem o que eu penso e o que eu penso cabe numa mala pequena. O que eu tenho de bom é descartável e o que tenho de pior é desprezível. Luto para manter o meu disfarce e cada vez é mais difícil manter meu personagem neste teatro vazio, para que assim não possa deixar tão claro o que eu sou: quase nada.
19 de março de 2010
Descuido
Abri meu coração com sinceridade , forcei-me a ser gentil, esperei acontecerem coisas boas. Desculpei pela primeira vez na vida erros indesculpáveis. Portei-me como bobo, fiz tudo por amor e sem culpas. Deixei de esperar que me dessem algo em troca do que eu sentia, deixei até que levasse um pouco da minha vida.E fui por esse caminho sem medo algum, entretanto, no caminho encontrei alguém dissimulado, responsável apenas pelos próprios desejos querendo , querendo e dando somente o que lhe convinha para receber mais em troca.E agora estou confuso, cansado tentando voltar, mas, sem um caminho.
14 de fevereiro de 2010
Capuccino
Conhecia este homem tal qual conheço a mim mesmo, por isto, e por mais nada, resolvi matá-lo.Confesso que olhá-lo e me enxergar tornou-me amargo comigo mesmo, então,sem um longo planejamento, resoluto esperei por ele , logo pela manhã e quando chegou diante do espelho atirei duas , três vezes; assim sem sentimento ou ressentimento.Tombou aos meus pés e o sangue jorrava da jugular que um dos tiros havia pego e transfixado. Satisfeito pela conclusão fui tomar um capuccino.Entretanto quando acabei com o café, a culpa, a maldita culpa. Parecia que uma parte minha tinha escorrido com aquele sangue, parecia que havia alguma fé em meu coração e senti que havia deixado algo junto àquele corpo.Ou que satisfazer meus sentidos confrontou minha razão. Entretanto matei e tenho muitas culpas que vão além de matar.
28 de setembro de 2009
6 de julho de 2009
14 de setembro de 2008
Solidão
O SILÊNCIO QUE VEM DO ESPELHO OBSERVA MEUS MOVIMENTOS
-SEI DISSO-
E DA FÊMEA QUE PROCURA ATRAVESSÁ-LO
LABIOS DE UM ESPELHO
−MULHER SOU DESGRAÇADO.
-SEI DISSO-
E DA FÊMEA QUE PROCURA ATRAVESSÁ-LO
LABIOS DE UM ESPELHO
−MULHER SOU DESGRAÇADO.
18 de julho de 2008
Recorte
As rugas, as cicatrizes, os cabelos brancos e todo o mais. Os espelhos nos dizem que tudo deve se multiplicar. Em silêncio, movimentam-se os lábios daquele que está no espelho. E está dizendo todas estas coisas sem sons, aquele ‘nós’, com nossos lábios, nosso olhar. E cresce o estranhamento em ver a si próprio noutro rosto, descobrindo que a vida é apenas um recorte.
12 de julho de 2008
Mascarar é o que restou. Nenhum silêncio seria mais longo que aquele, nem poderia. Não havia como concordar. Dizer um simples sim para Clara.
Ela mentia, e isto era óbvio, e na verdade eu não me importava. Intimamente, descobria um outro meio de me dizer que Clara deixou de ser uma pessoa que me fazia acreditar.
Difícil. Eu continuava procurando. Deixando de lado, dissimulando. Dizendo frases sem profundidade, sem ambigüidades, escolhidas para não dizerem nada além das próprias palavras.
Passei a ceder. Amá-la, e assim pôde matar-me. Afinal, era o mais sensato. Mais que viver. Clara me perdia. Eu me perdia.
A palavra que me persegue eu não quero entendê-la. Digo para mim que não importa se eu fechar os olhos, e mais, se for covarde pela vida toda que me resta. Já deixei de querer entender as operações que minha mente faz. Revolta, ira, desconcerto, então novamente reconstrução e conserto. Círculos que o coração faz.
Ela mentia, e isto era óbvio, e na verdade eu não me importava. Intimamente, descobria um outro meio de me dizer que Clara deixou de ser uma pessoa que me fazia acreditar.
Difícil. Eu continuava procurando. Deixando de lado, dissimulando. Dizendo frases sem profundidade, sem ambigüidades, escolhidas para não dizerem nada além das próprias palavras.
Passei a ceder. Amá-la, e assim pôde matar-me. Afinal, era o mais sensato. Mais que viver. Clara me perdia. Eu me perdia.
A palavra que me persegue eu não quero entendê-la. Digo para mim que não importa se eu fechar os olhos, e mais, se for covarde pela vida toda que me resta. Já deixei de querer entender as operações que minha mente faz. Revolta, ira, desconcerto, então novamente reconstrução e conserto. Círculos que o coração faz.
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