28 de setembro de 2009
6 de julho de 2009
14 de setembro de 2008
Solidão
O SILÊNCIO QUE VEM DO ESPELHO OBSERVA MEUS MOVIMENTOS
-SEI DISSO-
E DA FÊMEA QUE PROCURA ATRAVESSÁ-LO
LABIOS DE UM ESPELHO
−MULHER SOU DESGRAÇADO.
-SEI DISSO-
E DA FÊMEA QUE PROCURA ATRAVESSÁ-LO
LABIOS DE UM ESPELHO
−MULHER SOU DESGRAÇADO.
18 de julho de 2008
Recorte
As rugas, as cicatrizes, os cabelos brancos e todo o mais. Os espelhos nos dizem que tudo deve se multiplicar. Em silêncio, movimentam-se os lábios daquele que está no espelho. E está dizendo todas estas coisas sem sons, aquele ‘nós’, com nossos lábios, nosso olhar. E cresce o estranhamento em ver a si próprio noutro rosto, descobrindo que a vida é apenas um recorte.
12 de julho de 2008
Mascarar é o que restou. Nenhum silêncio seria mais longo que aquele, nem poderia. Não havia como concordar. Dizer um simples sim para Clara.
Ela mentia, e isto era óbvio, e na verdade eu não me importava. Intimamente, descobria um outro meio de me dizer que Clara deixou de ser uma pessoa que me fazia acreditar.
Difícil. Eu continuava procurando. Deixando de lado, dissimulando. Dizendo frases sem profundidade, sem ambigüidades, escolhidas para não dizerem nada além das próprias palavras.
Passei a ceder. Amá-la, e assim pôde matar-me. Afinal, era o mais sensato. Mais que viver. Clara me perdia. Eu me perdia.
A palavra que me persegue eu não quero entendê-la. Digo para mim que não importa se eu fechar os olhos, e mais, se for covarde pela vida toda que me resta. Já deixei de querer entender as operações que minha mente faz. Revolta, ira, desconcerto, então novamente reconstrução e conserto. Círculos que o coração faz.
Ela mentia, e isto era óbvio, e na verdade eu não me importava. Intimamente, descobria um outro meio de me dizer que Clara deixou de ser uma pessoa que me fazia acreditar.
Difícil. Eu continuava procurando. Deixando de lado, dissimulando. Dizendo frases sem profundidade, sem ambigüidades, escolhidas para não dizerem nada além das próprias palavras.
Passei a ceder. Amá-la, e assim pôde matar-me. Afinal, era o mais sensato. Mais que viver. Clara me perdia. Eu me perdia.
A palavra que me persegue eu não quero entendê-la. Digo para mim que não importa se eu fechar os olhos, e mais, se for covarde pela vida toda que me resta. Já deixei de querer entender as operações que minha mente faz. Revolta, ira, desconcerto, então novamente reconstrução e conserto. Círculos que o coração faz.
2 de junho de 2008
NÃO EU
Amanheci incompreensível
comi e bebi, mas não sou eu comendo e bebendo.
Voltei dormir pensando
que caminhava depois de morto.
Passo alguns minutos olhando o teto
a vida morreu
não eu.
comi e bebi, mas não sou eu comendo e bebendo.
Voltei dormir pensando
que caminhava depois de morto.
Passo alguns minutos olhando o teto
a vida morreu
não eu.
E
E ela pergunta por onde você andou,
E pensa em voltar.
E fica tão distante,
E te esquece,
E já apagou o que era seu de si mesma.
E pensa em voltar.
E fica tão distante,
E te esquece,
E já apagou o que era seu de si mesma.
9 de abril de 2008
24 de março de 2008
AUTÓPSIA DE UM POETA PÓS MODERNO
Sob luzes amareladas antes de desligarem os aparelhos decretaram:
-Dentro deste homem não há nada. A autópsia é necessária.O legista chamado. Na branca e fria sala de necropsia enfileirou calmamente seus instrumentos - Bisturi, pinças, facas e lâminas, osteótomos, luva e serra na mão. O corpo ele cortou, cerrou, sangrou a última linfa e no final, após toda a carne revirada, lacerada, cortada, conferidos em parte e no todo observando a carcaça sobre a mesa resmungou:
-Disseram-me que não havia nada. Virou-se para outra mesa, pegou o gravador respirou pausadamente devido ao cansaço e anotou com a voz embargada.
-Errata: - Este homem foi poeta, dentro do peito reconheço os escombros de suas crenças.
-Dentro deste homem não há nada. A autópsia é necessária.O legista chamado. Na branca e fria sala de necropsia enfileirou calmamente seus instrumentos - Bisturi, pinças, facas e lâminas, osteótomos, luva e serra na mão. O corpo ele cortou, cerrou, sangrou a última linfa e no final, após toda a carne revirada, lacerada, cortada, conferidos em parte e no todo observando a carcaça sobre a mesa resmungou:
-Disseram-me que não havia nada. Virou-se para outra mesa, pegou o gravador respirou pausadamente devido ao cansaço e anotou com a voz embargada.
-Errata: - Este homem foi poeta, dentro do peito reconheço os escombros de suas crenças.
20 de março de 2008
No banheiro duas mulheres tocavam-se nos mamilos enrijecidos, pontiagudos os seios alvos contorciam-se sob os dedos trêmulos.
As faces róseas tocavam-se levemente lado a lado após desvencilharem-se as línguas e os lábios úmidos rosa e encarnados.Em meio a fumaça e os resíduos de suor pesam os olhos, meus tredos,que não cansam de espreitar com volúpia e solidão.
As faces róseas tocavam-se levemente lado a lado após desvencilharem-se as línguas e os lábios úmidos rosa e encarnados.Em meio a fumaça e os resíduos de suor pesam os olhos, meus tredos,que não cansam de espreitar com volúpia e solidão.
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