13 de abril de 2010

Abraçava aquele homem a quem jurou amor, beijou-lhe o rosto a boca, os olhos. Respirou o seu perfume, confortou-se com seu calor por um instante.Todos os dias tendo de olhar-lhe nos olhos esperando um motivo para odiar e o motivo não vinha e o amor não queria passar.

5 de abril de 2010

Agora sem você tudo que eu mais gosto perdeu o sabor, só tenho coisas inodoras, insípidas e incolores.As horas e os dias se alongam intermináveis .O meu peito fragmenta-se quando nele a dor materializa que a esperança é sofrer. Sofrer a espera de talvez você aparecer,sendo isto o que eu não quero.
E toda hora me deparo que estou a viver sentindo que te quero mais que a mim mesmo; é quase desespero.
Dizem que o tempo me trará respostas, as quais, friamente penso, serão justificativas brandas e insossas,tanto quanto meus novos olhos no espelho.Penso que eu e você não saberemos se fizemos algo certo além de causar este encontro de almas, que outrora foram e ainda continuarão a ser como gêmeas,iguais sim, entretanto com vidas separadas no útero de sua confusa geração.Pois temos que indubitavelmente de sofrer as razões pelas quais nos deixamos , sofrer as dores da escolha: ser Sísifo ou ser Tântalo, sermos ambos ou cada um de nós escolher por ser um deles.

Sobre Sísifo e Tantalo consulte:
pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%A2ntalo
pt.wikipedia.org/wiki/Sísifo

4 de abril de 2010

Maturação

Com os olhos fixos em si mesmo pelo espelho dizia em silêncio:
- Amor, depois de amassar,processar e envelhecer essa uva suculenta roubaste-me o vinho e só me restou a borra e o vinagre.

1 de abril de 2010

Abre a janela , põe a a cabeça pra fora, cinza, cinza, fecha a cortina.Olha no espelho e repete o roteiro...

31 de março de 2010

Amputação

Essencialmente mantenho o que posso: Fragmentos e mais fragmentos de uma peça de homem.

25 de março de 2010

Significados significantes

Assim que ouviu a voz dela tremeu, olhou nas duas direções do corredor e apesar de sentir dentro dos ouvidos ainda o som do seu nome,era apenas um eco de coisas que já haviam passado. Apenas a imbricação de imagem e conceito. Sem saber, ainda guardava fortemente as imagens acústicas que mantinham-se escondidas na sua memória, porque naquele vazio do corredor somente viviam signos e significados que já haviam morrido num dia de sol e calor moderado.

22 de março de 2010

Nihilismo

Não adianta: eu não nasci pra seguir, nem pra ser seguido.Meus disfarces não escondem o que eu penso e o que eu penso cabe numa mala pequena. O que eu tenho de bom é descartável e o que tenho de pior é desprezível. Luto para manter o meu disfarce e cada vez é mais difícil manter meu personagem neste teatro vazio, para que assim não possa deixar tão claro o que eu sou: quase nada.

19 de março de 2010

Descuido

Abri meu coração com sinceridade , forcei-me a ser gentil, esperei acontecerem coisas boas. Desculpei pela primeira vez na vida erros indesculpáveis. Portei-me como bobo, fiz tudo por amor e sem culpas. Deixei de esperar que me dessem algo em troca do que eu sentia, deixei até que levasse um pouco da minha vida.E fui por esse caminho sem medo algum, entretanto, no caminho encontrei alguém dissimulado, responsável apenas pelos próprios desejos querendo , querendo e dando somente o que lhe convinha para receber mais em troca.E agora estou confuso, cansado tentando voltar, mas, sem um caminho.

14 de fevereiro de 2010

Capuccino

Conhecia este homem tal qual conheço a mim mesmo, por isto, e por mais nada, resolvi matá-lo.Confesso que olhá-lo e me enxergar tornou-me amargo comigo mesmo, então,sem um longo planejamento, resoluto esperei por ele , logo pela manhã e quando chegou diante do espelho atirei duas , três vezes; assim sem sentimento ou ressentimento.Tombou aos meus pés e o sangue jorrava da jugular que um dos tiros havia pego e transfixado. Satisfeito pela conclusão fui tomar um capuccino.Entretanto quando acabei com o café, a culpa, a maldita culpa. Parecia que uma parte minha tinha escorrido com aquele sangue, parecia que havia alguma fé em meu coração e senti que havia deixado algo junto àquele corpo.Ou que satisfazer meus sentidos confrontou minha razão. Entretanto matei e tenho muitas culpas que vão além de matar.

28 de setembro de 2009

Desesperado mantinha o revólver sempre por perto. Cansado mantinha a cachaça sempre por perto.Feliz, trazia uma vadia pra ficar por perto.Nunca misturava as coisas nunca esperava o melhor, nunca mesmo.
Passou algum tempo desconcertado,pensou mais um pouco parado de frente para o muro.Ela voltaria,pensou,melhor que volte,falou.Retirou a arma da cintura e disparou contra a cabeça.

6 de julho de 2009

Um dia seu passado acorda e escancarando sua boca diz copiosamente:
Reflito a imagem de que sou ninguém
Não há quem diga o quanto valho
Os cabelos , os dedos, a boca seca...
Vendo esses fragmentos de ser
Vendo os frageis momentos...