13 de outubro de 2018




Páginas e páginas viram a vida, e a vida vira
essa cartilha que desfalece 

De dia a dia.


Arado fazemos, e nem carpimos 

e nem aramos, isto colhemos.
 

Chega o tempo, ele manda aquilo que vem,

ocultando seus futuros anseios.

Inadvertidamente, imprevisível,

 seremos acolhidos
  -o dia leva o que lhe convém-
 

Aparência de larga estrada 

Resta-se as vivências , a vida que deleita

 então tudo num só dia estreita.

Dia de colheita.

                             Anjo é uma má palavra. Só isso.


 

Sinto a etérea brisa,  Mágica e Melancólica 

Invadindo o véu da boca para tecer a tua elegia.

Leve ladra sutil roubando palavras no fio dos lábios.

Num transe lúdico, contrafazendo as brisas

Libertam-se Palavras absortas em ressonâncias débeis e lívidas .
São sombras brancas e translucidas assentadas no silêncio nímio. 

Elocuções que buscam salvar a si próprias.                                                                                               

*- "Musa, mihi causas memora, quo numine læso"   

-Sei que não sabes o caminho adiante nem o regresso.-

E eu, feito um cão triste,feito de nós,
querendo escolher algo para o coração - as flores, uns dias,uma oração, um caminho -
atingir a alma, essa roupa que não quero mais.

*Musa lembre me das razões pelas quais fui injustiçado por qual divindade...
                                                         

Melancholia


Melancholia
 
O homem no balcão busca inspiração para uma pergunta.
 A menina olha.- A inspiração não responde.
A luz amarelada que vem do poste na rua continua  sobre a menina na porta aguardando o fim da chuva.
 Ancelmo continua seu silêncio, refletindo agora com os cotovelos sobre o balcão o que é ser ninguém num balcão qualquer. A menina foi embora.
Um homem passa gritando alguma coisa que não passa dos ouvidos, e Ancelmo só tem o silêncio e seu olhar que sem direção não apaga.Percebeu o nome dela no ar era Melancholia. 

20 de março de 2017


Pedi aos anjos que pintem um quadro
com a tua imagem.

Assemelha-se à prece
de uma dor
lancinante.

Arte em seu próprio silêncio.

Neste quadro tem as flores
que levam sangue na seiva.

-Nunca morrerás assim.
 -Eu digo.
-Porém nunca amarás. 
Dizem eles no trono do céu.

E meu cansaço que sorve meu esquecimento...

 -Pintem o quadro!
Repreendo.

17 de março de 2017






Contando hora por hora
cantarolando um lá, lá.
Tal pião que vai no eixo
em seu movimento lento
morrer por inércia...






Com a boca acolho  os ramos secos
afundando o corpo rígido
no mar outono.

Sob os corpos deitados na grama
constato
os poetas já colheram os melhores sintagmas.

15 de março de 2017




Recolho passos,
Tento uma corda,
me Tenta o laço.

As mãos úmidas não permitem o fado.

25 de novembro de 2016







Eu nefelibata preso no futuro
contigo apreendi o sabor da carne
e o cheiro almiscar do presente.

Foi em ti 
que ofegante
ouvi as palavras terem sabor 
e os sentidos voltaram do coma.



9 de setembro de 2016

HER  song

When she wakes me
she takes me.
No matter rain in the windows,
or darkness in our minds.
If evil makes one day better
She makes me better.
Out this words
or whatchwords
When she takes me
she wakes me.
I say to myself : - I love her.
- It really doesn´t matter.
She said.




Ces jours,
ou parfois,
sans aucune raison
mes yeuxs
cherchent lá celle qui m´embrasse ici.
Je me suis ennui...

12 de janeiro de 2016





As lágrimas
falam dos realejos
matracam as almas
e espíritos malfazejos,
rufam os tambores e trovões
endechas, faces lúridas
reza que o céu é vazio de dúvidas.
Canta o  anjo de morte o mais comum réquiem
e se fores bom
faça uma oração
de coração
para o bem sem olhar quem.

10 de dezembro de 2015

Mutilado




Um amigo meu fez um castelo 
e o destroçou 
e colocou o nome dele 
nos entulhos que construiu.

Tendo as mão sujas de si próprio 
extirpou-as
e com os dentes as plantou entre as pedras
onde secaram. 

Respirava a ira daquela areia
e a própria sombra desfazia de sua coragem.

Junto ao Leto  Fantasmas trançavam amarras de um barco imaginário
Ele sentou á beira do trapiche
aguardou Caronte.
-Meu amigo, a tristeza tem um coração humano.

Ele levantou-se e voltou aos pedregulhos
procurou suas mãos já podres
ressequidas e sem nenhuma vida
chutou as pedras e com a boca as recolheu.

Conservou com suas lágrimas
e retornou ...