10 de maio de 2024

Binary Search Trees

      Binary Search Trees
                 ∞


Nós inconscientes construímos nossos exílios 

Para imaginar mais segurança. 


Construídos conscientemente,e,

vivemos em presídios particulares

A infinda desconexão do eu.

  

E dói ser a multidão sem faces 

log in - on - curtir sem emoção.

Somos tantos bilhões:

Somos ninguém então.


Exibindo brinquedos e desvarios 

cambaleantes digressões.

O ser humano - aleatório, randômico  

sendo um numérico nada. 

Fizemos de todos nós destroços 

no infinito jardim de arvores de logaritmo.


31 de janeiro de 2024

Um Vale de Silício

De repente queima, ilumina, uma dor que desconhece razão

Assola, calcina. 

Desconstrói, liquidifica tudo o que é :      

Ego, Super Narciso, self .

A liberdade descansa aprisionada 

Em vidas alheias de alheios

em telas que intimamente mostram tudo...


Tudo relacionado em nada que importe 

- viver sobre si.


    

25 de janeiro de 2024



Percebo que em seus dias mais escuros 

Preso diante de uma luz plana 

paisagem sem sol:

Tem nuvem em plataformas que carregam nuvens,

Torres sem marfim em um deserto 

guardando torres de luzes 

onde luzem-luzem 

sem vida e estáticos: nanopirilampos .  


Labirintos onde se guardam tesouros 

que ninguém pode ver

 Por mais que tentemos

por mais que mintamos para si mesmos, 

não podem ser tocados

porque abrigam terríveis segredos.  


Este tempolugar: 

Não é poético, não tem musa, nem Ariadne 

ou o Minotauro.

estamos lá onde não há um lugar 

e nem podemos ser nós nessa existência linear. 

4 de dezembro de 2023

Passa rápido demais o tempo para viver a vida

para viver de verdade,

e já percebi que falei muito de mim.

Tenho as mão vazias,

Os braços fracos.

E chamam a mim 

aqueles que veem o que nem está lá.

Estou maldisposto 

com as palavras.Exausto.

Então, percebo ser chamado de algo ilusório

ou imaginário. Que se acredita sem provas.

Tal qual a fé.



7 de maio de 2021


PAZ  NA  TERRA


Acreditávamos que havia ou estava nas estrelas,

 na natureza, nos céus ou quatro cantos da terra.

 Ou no quarto da nossa vida.

 Acreditávamos que estava dentro de nós mesmos e talvez em todo lugar. 

Porém, sós, não vemos se está onde estamos.

8 de outubro de 2020




Em cada dia
em cada noite  
perturbe,
perturbe, incendeie
o caos. 

No caminho de saber
só se faz luz com um voraz
intenso fogo  
para sobrarem cinzas 
que o vento carrega para todo sempre
e espalha-se pelos pés dos transeuntes.



...

e com a fraqueza  que sentia dos pés na terra

saiu pela janela

libertou a imperfeição

enquanto fugia

do corpo 

alcançou as nuvens

em frenesi, se fez olhar, só olhar, 

o fio desfazer atrás do seu caminho.



 

16 de setembro de 2020

Noctambulismo


-Deite-se lá, veja,

O teu corpo

Caminhando,   

caminhando,

cabendo naquilo que é normal. 


13 de outubro de 2018




Páginas e páginas viram a vida, e a vida vira
essa cartilha que desfalece 

De dia a dia.


Arado fazemos, e nem carpimos 

e nem aramos, isto colhemos.
 

Chega o tempo, ele manda aquilo que vem,

ocultando seus futuros anseios.

Inadvertidamente, imprevisível,

 seremos acolhidos
  -o dia leva o que lhe convém-
 

Aparência de larga estrada 

Resta-se as vivências , a vida que deleita

 então tudo num só dia estreita.

Dia de colheita.

                             Anjo é uma má palavra. Só isso.


 

Sinto a etérea brisa,  Mágica e Melancólica 

Invadindo o véu da boca para tecer a tua elegia.

Leve ladra sutil roubando palavras no fio dos lábios.

Num transe lúdico, contrafazendo as brisas

Libertam-se Palavras absortas em ressonâncias débeis e lívidas .
São sombras brancas e translucidas assentadas no silêncio nímio. 

Elocuções que buscam salvar a si próprias.                                                                                               

*- "Musa, mihi causas memora, quo numine læso"   

-Sei que não sabes o caminho adiante nem o regresso.-

E eu, feito um cão triste,feito de nós,
querendo escolher algo para o coração - as flores, uns dias,uma oração, um caminho -
atingir a alma, essa roupa que não quero mais.

*Musa lembre me das razões pelas quais fui injustiçado por qual divindade...
                                                         

Melancholia


Melancholia
 
O homem no balcão busca inspiração para uma pergunta.
 A menina olha.- A inspiração não responde.
A luz amarelada que vem do poste na rua continua  sobre a menina na porta aguardando o fim da chuva.
 Ancelmo continua seu silêncio, refletindo agora com os cotovelos sobre o balcão o que é ser ninguém num balcão qualquer. A menina foi embora.
Um homem passa gritando alguma coisa que não passa dos ouvidos, e Ancelmo só tem o silêncio e seu olhar que sem direção não apaga.Percebeu o nome dela no ar era Melancholia. 

20 de março de 2017


Pedi aos anjos que pintem um quadro
com a tua imagem.

Assemelha-se à prece
de uma dor
lancinante.

Arte em seu próprio silêncio.

Neste quadro tem as flores
que levam sangue na seiva.

-Nunca morrerás assim.
 -Eu digo.
-Porém nunca amarás. 
Dizem eles no trono do céu.

E meu cansaço que sorve meu esquecimento...

 -Pintem o quadro!
Repreendo.