28 de janeiro de 2008

Já não era mais verão...

Naquela noite fizemos uma fogueira na praia e todos foram juntando-se conforme a escuridão crescia. E o fogo aumentava crispando toda a faia que estalava, lançando pequenas estrelas vermelhas pelo ar e pelo chão. O vinho passava pelas mãos e a lucidez esmaecia. Aos passos lentos dos que chegavam juntavam-se os passos dos que levantavam, e a areia fremia aguda.
Uns braços encontravam outros, uns lábios encontravam outros.
As vozes aumentavam junto com as risadas e os murmúrios, lentos suspiros misturavam-se. Muitas palavras perdiam-se nos ouvidos ébrios e outras cresciam num sentido espetacular.
O mar calmo por horas soprou as ondas tentando aproximar-se e dele pareciam brotar as brisas sobre o fogo que se dispersava. Aos poucos só ouvia-se as brisas e as ondas e o silêncio começava a chegar invadindo sem permissão alguma. A luz vinha surgindo apagando as risadas e trazendo a vontade continuar ali. E aquelas bocas úmidas se largavam para caminharem lado a lado, de mãos dadas e vago pensamento:
-Vem comigo.

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