10 de agosto de 2010

Quase sem querer




Ele falou tranquilamente num tom doce:
- Já vou. Tenho de acordar cedo...
O ambiente tornou-se silencioso. A frase ficou oscilante no ar , vazia de sentidos.
Sentiu-se atoleimado e enrubecerão as faces. Como solução levantou rápido e começou a vestir-se.
Ela falou uma frase qualquer que ele mais tarde não sabia se não ouviu ou fingiu que não ouviu. Naquele momento os segundos iam acumulando-se e pareciam horas. Quando finalmente livrou-se de vestir a roupa e por fim calçou os sapatos, levantou, enfiou as mãos no bolso e jogou o dinheiro que devia e mais algum.
Ao chegar na porta, ainda  antes de sair, observou a cama desarrumada e o sorriso frio da prostituta que já ia levantando-se e pegando o dinheiro.

Imagem by Andrew Wyeth. Helga.1978.

Um comentário:

leandrão cardoso disse...

Então, naquele esquema.

Tá faltando ou um pouco de ação, ou um maior aprofundamento nos personagens.

Tá funcionando bem a descrição, a ambientação e essas coisas todas - teu narrador tem uma voz bacana. Mas fica parecendo trcho de algo, saca? Meio que não fecha, ou melhor, parece incompleto - a não ser que seja essa sua intenção. Mas mesmo que seja, acredito que valha a pena dar algum fechamento pra coisa, aí acho que é trabalhar um pouco mais as cenas, aprofundar no psicológico e tal - insisto nesse esquema de aprofundar os personagens pq parece que teu narrador quaaaase chega lá, mas não entra. Daí a sensação de falta.