15 de setembro de 2013

Se não falo do silencio do meu mundo é porque é um vício
 É porque vivo deste duro, mas, belo ofício
 De não dizer qual caminho deves seguir e só sigo o meu.
 Então do silêncio da minha boca 
 Você pinta seus quadros fazendo das suas cores próprias, 
 Pontos de fuga e sombras claro escuras
  Imagiando quem realmente não sou...

8 de fevereiro de 2013

Vida

Parado aqui e olhando pra dentro desse fosso e o mais certo a se fazer é dar meu último passo. Aqui sozinho, no meio da cidade mais populosa do país, estou pronto. Suicídio inevitável. È só dar um passo e todos os meus desejos mais antigos se desfazem.
Minha última decisão como um dedo indicador no botão delete. Uma palavra em uma frase desaparece e outra e mais outra. Meu corpo o traço que atravessando o fosso vai apagando a frase que é minha vida e na queda cada andar é a marca de uma letra que some da minha existência. Fazendo isto estou abrindo meus braços para o encontro que talvez salve meu ultimo lastro comigo mesmo.
Entrego minha morte diante de verdades que nunca fizeram sentido. Nesta vida tirada de uma certeza desgastada num moinho de vidros o qual não quero mais.
Desenganos que vem e vão por muitos meios e em vão.
Sendo tolos somos passíveis de viver de tolices. Todos nós somos tolos. Temos crenças indissolúveis, verdades construídas pelo mundo não por nós mesmos. Viemos de lugares genéticos desconhecidos de programações biológicas predefinidas. Uma existência sem escolhas. Em alguns momentos tentamos nos rebelar contra essa ordem tão determinista para apenas seguirmos outra, ou, outras ordens, as quais, se mesclam com a mesma ordem anteriormente definida. Em resumo, entre tudo e em cada minuto misturam-se tolos e mais tolos invisíveis para si próprios e passíveis de si próprios e suas tolices.
Olhos vítreos e fixos na direção do meu provável futuro.
Queria poder me ver, devo parecer patético, um retardado balançando-se sobre os pés olhando pro nada do fosso do elevador. Pois é, eu deveria ter escapado por uma janela e deveria estar parado num parapeito qualquer ou no topo de uma cobertura olhando para cidade que me olharia de volta, mas, imaginar alguém me olhando com pena ou torcendo para que eu pulasse me faria pensar em desistir ou talvez aumentar muito rapidamente meu desejo de pular. Bom, é óbvio que tirar a própria vida é um momento muito íntimo, apesar de que, quem o faz, acaba por dividir com muita gente o efeito de seu ato. Sempre um suicida vira atração no local. Porém não eu.Eu quero ter esses minutos finais só para mim egoisticamente. Viverei só para mim os alguns outros poucos segundos que sobrarão de sangue quente e sinapses depois de atingir o chão...

7 de janeiro de 2013

No momento em que os naufrágios pessoais atingem à praia não existem meios para recolher e reconstruir o que foi destruído pela tempestade.
Depois de passar dias e noites boiando num agitado mar que envolveu o espírito do próprio navegador tudo é escombros...
 E a cada segundo o tempo, esse abismo no qual nos lança a vida e a morte, sem que possa haver uma escolha,traz outras tragédias. 
Tragédias que se unirão para construir novas e estreitas jangadas onde súditos do destino fazemos memórias construídas de areia, novos amigos e amores que naufragarão.

27 de dezembro de 2012

Doppelganger

Sabe querida, me sinto estranho, pois,  quando vou dormir vago a noite toda.E, então, pela manhã acordo sem ter tido descanso. Eu digo isso porque durante a noite enquanto durmo penso coisas que não fiz. Imagino e vejo cenas que não são minhas. Sinto que meu corpo habita um outro pensamento . Outro pensar.
Durante a noite é como se de repente estive vivendo em outra pessoa, e eu, naquele momento, fosse um pensamento vago dessa pessoa. E cada pessoa na qual habito por alguns segundos ou minutos, deixa suas lembranças no interior da minha mente.
Sabe minha querida, eu durmo e acordo um pouco delas também.
Sabe meu amor, acordado tenho estado muito esquisito. Meu pensamento ficou estreito e pensar ficou cansativo.Essas pessoas não tem vida. São vazias. Elas encontram momentos para viver. Mas, depois, caem duramente ao chão do fim do prazer. E dizem convictas que isso é viver. É o que elas dizem todas as noites dentro de mim. Sabe, sempre quis fugir deste tipo de vida de busca imediata. Da vida de procuras, da vida de fingir que quero me encontrar. Ou, encontrar conforto na própria existência. De fingir para si mesmo, ou mesmo, nem saber que não estou procurando, e sim, caminhando sem direção.
Eu me estranho minha querida e durmo, mas, insiste esse pensamento de acordar um pouco de outros homens e mulheres.Desse jeito assim como se absorvido dentro do pensamento deles , então, eu os absorvesse.
Indo e vindo de pensamentos alheios, de um ao outro.
Querida dessa maneira sou um estrangeiro dentro do meu eu.
Por isso te encaminho essa mensagem para ver se meus pensamentos deixam de ser meus...

16 de outubro de 2012

(Esta é a terra morta.) T. S. Elliot – “Os homens ocos - Fragmento lll”

Era um belo bairro burguês com suas mansões de elites e ruas higienizadas. Dentre as nuvens cinzas o sol finalmente aparecia. Eram mais ou menos 4 horas da tarde  e ele estava em pé diante do alto portão feito de ferro entrelaçado. Vestido num terno cor cinza, de camisa e sem gravata, os longos cabelos acinzentados estavam presos abaixo da nuca e os longos fios alcançavam até o meio das costas.Sua altura e porte, a sua aparência serena lhe davam ares de um anjo.
Naquela tarde depois de surgir radiante o sol aparecia e se escondia entre as nuvens cinzentas. Quando os seus raios transpassavam a espessa barreira cor de chumbo a sensação de calor e abafamento só aumentava. Quando os raios surgiam vinham com a força de algo que rebenta a represa que o contém e transborda de uma só vez. O calor fazia com que a água da chuva que caíra anteriormente e estava sobre as coisas ou em pequenas gotas ou ainda empoçada evaporarem rapidamente fazendo a sensação de calor e falta de ar ficarem muito piores.Entretanto ele impassível estava sem uma gota de suor  ou aparentando qualquer desconforto com o clima.
 Lá parado aguardou alguns segundos como se estivesse observando o movimento da rua ou aguardando que o portão se abrisse.Então caminhou até passar pelo portão como um fantasma reaparecendo já junto ao jardim quase sem flores. Eram os primeiros dias que anunciavam a primavera que vinha depois de um inverno muito frio e prolongado até poucas semanas atrás. E como o inverno se prolongou além de seu tempo tanto as árvores como os arbustos tinham poucas folhas que tentavam ainda crescer verdes junto com algumas folhas em tons de marrom e pastel que estavam lá apenas pelo acaso.
Sem demonstrar qualquer interesse com o que acontecia ao redor continuava seu caminho e mais uns poucos segundos chegou ao pátio defronte a casa, então, defronte a porta assim como no portão passou alcançando o vestíbulo. Lá dentro havia um portal dourado sobre o átrio e ele parou entre as colunas brancas olhou para cima observou os ábacos também dourados e para ele pareceram tão belos como os das colunas brancas decoradas do teatro nacional de Sofia. Observou a abóboda de claustro detalhada em gesso e mármore Fiorentino e mais lembranças vieram ao pensamento. Mais uns passos e chegou à antessala. Parado bem ao centro, passou a olhar ao seu redor e observar o que havia por perto. Com o olhar mais atento para as paredes laterais viu que elas eram diferentes recobertas por um papel de parede onde estavam impressas cenas medievais que pareciam afrescos e pinturas dos antigos palácios e igrejas medievais. Desenhos de cenas cotidianas daquela época em papel gasto e escurecido pelo tempo. Reter-se ali lhe pareceu agradável, então, começou a observar senhores e damas, servos, soldados, cenas de mártires com anjos e santos, freiras, monges e monastérios. Lembranças ainda vivas de um tempo em que as coisas eram mais simples e lembrava-se da topografia do além antes de Dante e ao distrair-se estava adiando o porquê de estar ali. Deu uma meia volta e procurou pela escada. Pelos vitrais a luz difusa do dia que ficou nublado penetrava o ambiente tornando os objetos, o ambiente e as paredes mais escurecidos e pesados. O relógio marca ainda 16 horas enquanto sobe pela escada para chegar ao andar superior da casa. Dos degraus, balaústres da escada e dos móveis exalavam agradáveis fragrâncias que lembravam o cedro libanês que quando cortado no campo pouco antes do verão espalhavam o perfume de sua seiva que logo que invadiam as narinas, caricias formaram-se em suas memórias.
 Ao chegar ao topo da escada parou diante do quadro de uma bela dama de faces pálidas e cabelos dourados, posta num belo vestido verde aveludado. Realmente neste dia o caráter solene de seu trabalho e que sempre era desprovido de detalhes e marcado pela sua falta de intimidade com o local ganhava uma nuance menos automática. Seu trabalho era apenas levar consigo aqueles que o encontravam. Entretanto neste dia parecia protelar sua chegada ao cômodo de destino. No corredor abriu e olhou dentro dos outros quartos procurando conhecer o lugar. Lentamente nesse passo chegou ao final do corredor e cantarolou uma oração romana muito antiga: *- Ut suscipijubeas animam famulituiillius per manus sanctorum angelorum. Assim chegou onde deveria chegar e no momento certo ele estava lá. Sobre uma tombada poltrona revestida por um tecido vermelho encarnado quase reluzente, o corpo pendurado, o  pescoço roxo as faces brancas e a corda amarrada ao belo e trabalhado chandelier estilo vitoriano.
 *(PARA QUE ORDENES RECEBER A ALMA DESTE TEU SERVO PELAS MÃOS DOS SANTOS ANJOS.) SACRAMENTÁRIO DE SÃO GELÁSIO I (PAPA DE 492 A 496)







Vendo as flores da janela. Sem sol. 
Vendo minhas lágrimas. E todo o cinza. 
Vendo meus sorrisos sem sentido. 
Vendo a beleza dada pelos olhos diante desse espelho sem reflexo.
Vendo sonhos irrealizáveis.
E vendo tudo que não vivi.
Assim a certeza de que não perdi nada nesta vida.

26 de abril de 2012

O bibliofilo

As vezes pensava na mãe que pagava os seus estudos e ele e sabia que devia para ela muito mais que afeto e dinheiro.A sua mãe que fora abandonada ainda grávida pelo namorado. Namorado o qual  ela acreditou ser o seu destino para felicidade e o destino tinha mulher feliz , grávida e dois filhos.
Não foi fácil para ela, sem companheiro e não dois , apenas um: o filho. Naqueles tempos ter filho solteira era sentença de desprezo da cidade toda, tanto para um quanto para outro - mãe e filho.
E para mãe dele com aquela experiência passou dali em diante trazer dentro de si profunda descrença e nojo total à doçura masculina. Ainda mais que devido a falta de ofícios mais lucrativos na cidadezinha e pela necessidade, terminou prostituindo-se lá na casa de Maria Gertrudes, logo antes dele nascer.
De fato isso nunca o incomodou, porém,nenhuma saudade de casa. 
Afinal de contas saber a origem do seu conforto não era um conforto e nem ao menos sua prioridade.
 A prioridade era todos os dias sair e caminhar depois das aulas.Ele pesquisava, observava e entrava em qualquer lugar onde estivessem. Ou, nas bibliotecas públicas, ou, nas casas que visitava.
Entrava  e vagarosamente antes mesmo de um bom dia ou boa tarde com os olhos observava nas prateleiras das estantes, mesmo sobre algum móvel aqueles objetos que fascinavam seu espírito. 
Escolhia um dos que via e o acariciava, em cada lombada passava suavemente os dedos, sentia a textura de cada capa e contra capa. Cheirava suavemente o seu interior e cuidadosamente arranhava uma ou duas páginas e então perguntava-se qual era o título , o nome, daquela coisa em suas mãos. Por vezes levava o livro contra o peito e depois esticando os braços o encarava frente a frente para ver o nome do autor como se o olhasse diretamente nos olhos.
Não compreendia as sua atitudes em relação aos livros, mas compreendia que aquele ritual era quase misticismo , era libertário de alguma coisa. Muitas vezes ansiava fugir desse hábito, contudo sentia-se impotente diante daqueles seres. 
Era como na infância  que ele tentava correr por sobre os trilhos com muita atenção e ainda assim escorregava e caia. Disparava um palavrão silencioso dentro de sua cabeça. 
Muitas vezes escondia os livros dentro da bolsa ou do casaco e roubava-os.Depois sozinho deleitava-se revirando as páginas e arranhando uma a uma nervosamente, calmamente, inebriado e depois de passar algum tempo com ele e já sem escrúpulos destruía aquele objeto em suas mãos logo depois do primeiro capitulo.

Sonho Adão




Eu quero alcançar o sentimento com as mãos. 
Eu quero tocar a pele nua e desgastada dos sentimentos com meus dedos. 
Com meus sentidos vou buscar tocar um íntimo que é intangível... 
E o mundo me diz que não posso, os meus olhos dizem que não posso, meu corpo diz que não alcanço a linha do horizonte. 
Mas, meu espírito, esse desobediente vilão da minha vida, diz que nada pode ser impossível e que não existem coisas intangíveis esquecendo-se que ele mesmo é intangível. 
Vá ser feliz. Diz ele. Se eu pudesse. Respondo.

18 de abril de 2012

Adeus todos meus outros amores!
Estou partindo agora. Eu estou indo sem fim e sem demora, encontrar esse novíssimo amor que com suas amarras aporta. Nada mais me impede meus antigos amores, nada mais me cerca. Estou indo embora. Na busca da santa liberdade dos braços dela, na divina algema desse cárcere que me aquece agora e que me recebe em suas divinas mãos e no seu corpo de carne e sangue. Pois, sim, não mais voltarei para vocês meus antigos amores e suas galés, nem pensar em sentir alguma outra vez suas presenças de mármore branquíssimo e frio, frias mãos e seus frios lábios guardados na memória. Assim renova-se, assim ela diz: Serei tua casa nova. E habitaras o meu ventre e a minha boca, nos meus seios terás o descanso e a morada para tua alma fatigada. Digam que fiquei louco, digam que me escondo da dor, que o frio que sinto é do meu coração. Mas, ah! Meus antigos amores ninguém os ouve além de mim....

19 de novembro de 2011


Promessas
Diga para mim que vai me envolver com suas pernas e prender-me junto ao seu sexo. Diga que vai me fazer render-se derrotado nas carícias de suas mãos e dos seus lábios... Diga que seus lábios vão me deixar preso no vício de beijá-los, faça isso prometendo. Fale que seu corpo será meu abrigo. Fale. Falarei para mim que as palavras de tua boca serão a perdição.
Sussurre com sua pele palavras impronunciáveis que só meu corpo compreenderá. Narre para mim junto de meus ouvidos todas as palavras quando fizermos amor e todos nossos atos, para que crie a prisão sem muros mais perfeita. Conte para mim seus sentimentos e todos seus desejos, e, falo sério, preciso ouvi-los de tua boca junto da minha boca enquanto ainda estiver ofegante e olhando no fundo dos meus olhos. E não procure palavras, não me deixe procurar palavras deixe que quando estivermos sozinhos todo o resto fale por nós. Bocas, lábios, mãos pés, dedos, cabelos, saliva, suor, unhas, olhos, ouvidos, em seus ritmos deslizando-se entre nossos corpos. Nunca deixe de ser minha. Nunca me deixe não ser seu. Faça essa promessa quando você vier a existir.


(Imagem: http://www.nuribilgeceylan.com/photography/earlyphotographs3.php?sid=3 )

1 de outubro de 2011



Atirando através de mim
Aquele louco de olhos fundos e escarras na face
Lá de dentro do espelho ele me olha, lá de dentro
Eu recolho meu olhar, eu escondo minhas faces
fecho meus braços sobre meu peito.
E desse modo vou para cama, sobreposto quase sem vida lá fora.

2 de setembro de 2011

Ancestralidades







Nem meio nem inteiro. 
Sou mesmo pedaços de alguns que já se foram.