15 de outubro de 2010
Ele repetia as mesmas sentenças , o mesmo código transverso quando lembrava-se daquela mulher. Dizia as mesmas sentenças na procura de sentidos , porém, não via e não ouvia sentido algum em seus sentimentos. Eram sentimentos que agiram como hóspedes bem-vindos e que tornaram-se furtivos ladrões. Havia sido colhido por este que é um vento brusco no interior de sua alma.Um vento frio parecendo vertigem ou medo e chamou isso amor incondicional. Aquela vagabunda, vil prostituta - ele repetia.
Parecia-lhe impossível até que então acabou por acontecer, cedeu à um beijo que ela vendia, entretanto, ele não sabia o que estava comprando, no príncipio só compreendia a fragilidade absurda daquela situação.
As frases que trocavam nos seus vários encontros tornaram-se como fantasmas e circulavam perdidas na sua cabeça e na boca murmurante.
Frases perdidas as quais faziam com que ele agisse como se estivesse numa surdez escura e muda, onde apenas tateava e ia repetindo para si mesmo coisas que não ouvia de verdade.
28 de setembro de 2010
Memorabilia
I
O senhorio relatava para os curiosos e os outros inquilinos que naquele dia como era costume todo o cômodo estava em silêncio, assim como do lado de fora no corredor parecia não haver vida, pois eram 2 da tarde e exceto pelos fins de semana, nesse horário todas as pessoas sairam para cuidar de suas vidas. O quarto trancado e o inquilino sem sair lhe chamaram a atenção, então, ele bateu na porta sem resposta. Aguardou uns minutos e voltou com a chave para abrir e abrindo a porta logo viu o inquilino, Fausto Staub, com as pernas ainda balançando sobre a cadeira tombada.
Ouvi por alguns minutos o senhorio, falava ele calmamente que o quadro na sua frente não o assustou muito, ele já vira outros suicidas e depois de uma primeira vez o quadro deixa de ser tétrico. Entretanto desta única vez, representou-lhe uma estória que ouvira de sua avó na infância.A avó falava de um silêncio que começava pelo pó do assoalho e subia ao teto cobrindo a vida de seus moradores,falava de um silêncio negro, escuro,se é que o silêncio pode ser algo além do próprio silêncio, dizia ele.
E acrescentava com um ar pensativo : -Nunca vi um quarto tão empoeirado.
II
II
No dia em que Staub chegou na cidade um homem na estação indicou uma pensão que alugava quartos ali bem perto. Caminhou até lá e encontrou o senhorio logo na porta fumando um cigarro de papel feito à mão e bem fedorento. Tratou logo de perguntar se havia um quarto e o senhorio o conduziu subindo a escada e caminhando até o meio do corredor. Defronte a porta o velho tirou as chaves do bolso e abriu. Pediu para que Staub entrasse, anunciou o preço e de antemão foi catalogando de memória toda a mobília. Velho desgraçado, pensou Staub que percebeu na voz dele, o velho usava a enumeração verbal dos bens para que servisse de aviso: - Se sumir algo você paga. Segundo o senhorio constava-se: uma mesa, 10 ou 12 romances repousados numa prateleira de parede logo acima da cama que tinha sobre ela um amarelado e enorme colchão de molas, canto direito ao lado da cama havia uma cadeira estranhamente pintada de preto e sobre ela o inútil relógio que aparentava ter os ponteiros repousando caprichosa e demoradamente em cada segundo.Se quisesse poderia cozinhar, mas nunca depois das 8 da noite. Staub sentiu-se em casa,tinha bons sonhos.
Já nos primeiros dias Staub notou que o senhorio observava sorrateiramente cada quarto olhando pela fechadura em horários específicos. O velho era um voyeur desgraçadamente onanista. E lá pelas nove da noite quase todos os dias sentia o cheiro forte de fumo e suor do velho entrando por debaixo da porta. De vez em quando ia até lá e mexia na tranca para espantar a curiosidade dele.
III
Após alguns meses trabalhava todos os dias num sebo, o que lhe garantia o aluguel, a comida e poder ler de graça. Fausto Staub queria ser escritor, ganhar a vida assim, era o que ele dizia.Para o senhorio o senhor Staub realmente era apenas um homem calado e pontual aos pagamentos.
Staub em todas as horas vagas escrevia. Depois todo o tempo. Tornou seu desejo uma obssessão. Passou a ficar ou debruçado dia após dia sobre uma pilha de papéis tentando com a caneta nas mãos manufaturar um papel para si, o qual não importava o esforço não vinha, não vingava.Nunca deixava os dias de folga para descansar. Com o tempo passando vagaroso, depois de um ano, cansou de tudo e durante a noite, depois do trabalho, começou a frequentar um inferninho, como dizia o senhorio. No início como todo mundo não queria deixar-se levar e aparecer por lá todos os dias.Mas com as visitas repetindo-se logo ficou companheiro do leão de chacára chamado Vida Torta que na maioria do tempo escondia-se num quartinho com beliche nos fundos do bordel, só aparecendo quando o lugar enchia ou uma briga o tirava do sossego habitual e fazia que com seu tamanho descomunal e aparência grotesca pusesse um ou dois porta para fora.Dessa amizade com o Vida Torta suas noites começaram a ser marcadas pelo o que lhe bebia e fumava. Como demônios em profusão vertiginosa os vícios multiplicavam-se.
Staub em todas as horas vagas escrevia. Depois todo o tempo. Tornou seu desejo uma obssessão. Passou a ficar ou debruçado dia após dia sobre uma pilha de papéis tentando com a caneta nas mãos manufaturar um papel para si, o qual não importava o esforço não vinha, não vingava.Nunca deixava os dias de folga para descansar. Com o tempo passando vagaroso, depois de um ano, cansou de tudo e durante a noite, depois do trabalho, começou a frequentar um inferninho, como dizia o senhorio. No início como todo mundo não queria deixar-se levar e aparecer por lá todos os dias.Mas com as visitas repetindo-se logo ficou companheiro do leão de chacára chamado Vida Torta que na maioria do tempo escondia-se num quartinho com beliche nos fundos do bordel, só aparecendo quando o lugar enchia ou uma briga o tirava do sossego habitual e fazia que com seu tamanho descomunal e aparência grotesca pusesse um ou dois porta para fora.Dessa amizade com o Vida Torta suas noites começaram a ser marcadas pelo o que lhe bebia e fumava. Como demônios em profusão vertiginosa os vícios multiplicavam-se.
IV
V
No dia em que saiu de sua cidade, no trem todos puderam ver nos olhos o brilho de quem estava sendo carregado por esperança. E no dia em que ele voltou no mesmo trem puderam ver nas faces de seu cadáver que de onde ele veio carregava a si próprio. Na partida lembraram que ele tinha sobre si coragem, quando voltou tinha por bagagem a si próprio.Staub saiu crente em si para encontrar o que ele pensava ser seu destino nesta vida.Dentro daquele caixão estava o resumo de tudo.
Quando Vida Torta o encontrou na noite anterior Staub estava repetindo coisas que ele não entendeu, Staub lhe disse disse que morrer fica parecendo tão virtuoso quanto castigar um culpado, encontrando-se um fim justificado em si mesmo devido ao que ele trouxe para si. Ainda disse que sempre acreditava na existência de um muro entre a luz e a escuridão, entre a lucidez e loucura, entretanto naquela hora as coisas parecem menos maniqueístas e mais associadas ao momento e ao imediatismo. As realidades convergem tomando as mesmas direções.Em seu bilhete de despedida escreveu:
Quando Vida Torta o encontrou na noite anterior Staub estava repetindo coisas que ele não entendeu, Staub lhe disse disse que morrer fica parecendo tão virtuoso quanto castigar um culpado, encontrando-se um fim justificado em si mesmo devido ao que ele trouxe para si. Ainda disse que sempre acreditava na existência de um muro entre a luz e a escuridão, entre a lucidez e loucura, entretanto naquela hora as coisas parecem menos maniqueístas e mais associadas ao momento e ao imediatismo. As realidades convergem tomando as mesmas direções.Em seu bilhete de despedida escreveu:
Plantamos um jardim de flores hibridas e podemos ter o mais belo dos jardins. Temos as cores as formas mais queridas previamente escolhidas de acordo com o desejo pessoal, assim como Deus fez o mundo.Então tais devem morrer tomadas pela sua efêmera delicadeza e em sua impossibilidade de reproduzirem.
Já não reflito mais sobre sangue derramado e já não fico acordado pensando em crianças disformes mudas e extáticas, já não penso...nem me lembro de ter me impressionado com algo há muito tempo.Sou nada mais que um objeto desta sociedade e de mim mesmo.Há um móvel que não cabe na mobília deste pequeno quarto e está mais que todos os outros encoberto de pó e este sou eu. Nunca mais sairei deste quarto serei parte memória e mobilia.
E o senhorio cumpriu com o último desejo de Fausto Staub e naquela pensão enquanto mostrava o quarto para um novo inquilino o senhorio não esquecia-se de Fausto Staub que sempre era acrescentado ao memorial do senhorio o qual detalhava naturalmente o fim desse inquilino como se fizesse parte da mobília.
Já não reflito mais sobre sangue derramado e já não fico acordado pensando em crianças disformes mudas e extáticas, já não penso...nem me lembro de ter me impressionado com algo há muito tempo.Sou nada mais que um objeto desta sociedade e de mim mesmo.Há um móvel que não cabe na mobília deste pequeno quarto e está mais que todos os outros encoberto de pó e este sou eu. Nunca mais sairei deste quarto serei parte memória e mobilia.
E o senhorio cumpriu com o último desejo de Fausto Staub e naquela pensão enquanto mostrava o quarto para um novo inquilino o senhorio não esquecia-se de Fausto Staub que sempre era acrescentado ao memorial do senhorio o qual detalhava naturalmente o fim desse inquilino como se fizesse parte da mobília.
20 de agosto de 2010
Ela chegou atrasada . E isto não era normal para ela até agora. O sorriso nos lábios dela não era normal. O seu beijo estava rijo e descompassado. Foram então tomar café. Sentaram-se no lugar que parecia mais acolhedor. Ela estava calada e ele não entendia bem porque, entretanto não quis perguntar logo de cara o que estava acontecendo, talvez ele nem quereria saber. Pensou um pouco. O relacionamento ia bem desde o começo há 3 ou 4 meses, eles se gostavam, era o que ele imaginava. Então, ela, após um inspiração um pouco mais profunda, na sua segunda ou terceira frase depois de dizer - Olá e tudo bem?- disparou contra ele: -Estou grávida, e é de você...
- Então, eu quero essa criança...poxa, vai ser meu filho...
- Você é egoista.
- Nãoo, só acho que...
- Você não tem que achar coisa alguma. Eu não quero.
- Eu acredito em ter...
- Acredita em nada,porra nenhuma. Não quero essa merda pra mim. E nem venha com algum papo hipócrita e babaca.
- Eu sabia, nunca ia dar certo mesmo, cê é mimada, babaca.
- Olha meu, não te devo nada e você não me deve nada. No máximo deve um adeus. Fica asssim mesmo eu me viro.
- Então fico devendo.
Saiu. A direção não importava, muito menos onde. Foi caminhar sem rumo.
Tavares, era o apelido de escola e como o chamavam assim em todo lugar, estava caminhando pelas vielas do Passeio Público chutando areia com o bico do sapato , levando as mãos no bolso olhando vezes para baixo outra para cima. Céu azul, manhã de astral.O suor ensopava-lhe a camisa branca. Engraçado é que ele não gostava de camisa branca, entretanto naquele dia pareceu-lhe especial. Uma camisa branca de algodão.Caminhava e estava sol, mas não era o calor que o fazia suar.Na verdade a temperatura era amena naquele dia no máximo uns 22 ou 23 graus e soprava uma brisa leve constante. O sangue é que lhe fervia, os pensamentos, as lembranças.
Ela ficou e chorou um pouco antes de pagar a conta e sair.
Estava difícil carregar seu corpo enquanto caminhava, respirar era cansativo e confuso. Estava procurando uma saída,e sentia-se uma bola na mesa de bilhar,estava em um labirinto que movia-se constantemente.
- Então, eu quero essa criança...poxa, vai ser meu filho...
- Você é egoista.
- Nãoo, só acho que...
- Você não tem que achar coisa alguma. Eu não quero.
- Eu acredito em ter...
- Acredita em nada,porra nenhuma. Não quero essa merda pra mim. E nem venha com algum papo hipócrita e babaca.
- Eu sabia, nunca ia dar certo mesmo, cê é mimada, babaca.
- Olha meu, não te devo nada e você não me deve nada. No máximo deve um adeus. Fica asssim mesmo eu me viro.
- Então fico devendo.
Saiu. A direção não importava, muito menos onde. Foi caminhar sem rumo.
Tavares, era o apelido de escola e como o chamavam assim em todo lugar, estava caminhando pelas vielas do Passeio Público chutando areia com o bico do sapato , levando as mãos no bolso olhando vezes para baixo outra para cima. Céu azul, manhã de astral.O suor ensopava-lhe a camisa branca. Engraçado é que ele não gostava de camisa branca, entretanto naquele dia pareceu-lhe especial. Uma camisa branca de algodão.Caminhava e estava sol, mas não era o calor que o fazia suar.Na verdade a temperatura era amena naquele dia no máximo uns 22 ou 23 graus e soprava uma brisa leve constante. O sangue é que lhe fervia, os pensamentos, as lembranças.
Ela ficou e chorou um pouco antes de pagar a conta e sair.
Estava difícil carregar seu corpo enquanto caminhava, respirar era cansativo e confuso. Estava procurando uma saída,e sentia-se uma bola na mesa de bilhar,estava em um labirinto que movia-se constantemente.
Acordar em estado de semiconsciência , eis um belo dom, o corpo parece estar em estado de coma. Os sonhos prolongam-se transpondo o ponto limite com a realidade, as imagens dos sonhos e pesadelos invadem o quarto. E o corpo está e não está lá, entre pedaços de lembranças, flutuando no leito das fantasias sem poder ser tocado nem tocar, sobrenadando na própria cama. De Maistre sabia disto. Aparições de fantasmas , vultos, seres imaginários, todos lá, vivos diante de olhos que fechados parecem abertos , e muitas vezes estão abertos e arregalados, porém, voltam-se para o interior , enxergam para dentro, num rumo verso e reverso isto porque o que está dentro da mente está fora e o que parece estar fora diante do corpo são coisas que estão somente dentro do inconsciente. Portanto, não existem que no planos das idéias. Neste momento, raro, diga-se de passsagem, que pode ser testemunhado e por vezes recriado sem a vertigem e o estranhamento do fato natural com o uso de narcóticos e medicamentos,que é claro, retiram deste fato o frescor natural o espanto e o fôlego acelerado. Este momento de revêrie, ensueño, quase sonho é fato raro são segundos longos e distantes da frieza que é o plano da realidade e de mergulho assustador na irrealidade mais real da psique.
18 de agosto de 2010
Dama entre camélias
A noite chega e encobre com sua escuridão o cadáver do dia, suspiro algo perdido...
A Morte, dama doce, no seu gentil vagar entre sombras e estrelas, passeia entre camélias, dizendo calmamente ao vento que leva e trás e sábio nada guarda:
- Se fores traga-me flores.
A Morte, dama doce, no seu gentil vagar entre sombras e estrelas, passeia entre camélias, dizendo calmamente ao vento que leva e trás e sábio nada guarda:
- Se fores traga-me flores.
10 de agosto de 2010
Quase sem querer
Ele falou tranquilamente num tom doce:
- Já vou. Tenho de acordar cedo...
O ambiente tornou-se silencioso. A frase ficou oscilante no ar , vazia de sentidos.
Sentiu-se atoleimado e enrubecerão as faces. Como solução levantou rápido e começou a vestir-se.
Ela falou uma frase qualquer que ele mais tarde não sabia se não ouviu ou fingiu que não ouviu. Naquele momento os segundos iam acumulando-se e pareciam horas. Quando finalmente livrou-se de vestir a roupa e por fim calçou os sapatos, levantou, enfiou as mãos no bolso e jogou o dinheiro que devia e mais algum.
Ao chegar na porta, ainda antes de sair, observou a cama desarrumada e o sorriso frio da prostituta que já ia levantando-se e pegando o dinheiro.
Imagem by Andrew Wyeth. Helga.1978.
5 de agosto de 2010
E, além do mais, é necessário convencer-se de que lembranças nunca passam de rosas que não tem mais olor, de lágrimas que não tem para onde correr e nem tem mais sabores. São anjos desbotados de tristeza ou felicidade, pinturas numa parede de caverna em que os significados de hoje podem e nem devem ser os que eram em seu tempo. Helena insinua respirar do passado precipitando-se sobre ele com todas as forças , o que ás vezes faz bem para as dores, ajuda a guiar-se na escuridão que vai dissipando-se logo à frente- o futuro. Mesmo que ela saiba que tudo vai acabar sendo o que é. E ainda é outono.
22 de julho de 2010
Abrindo o portão azul de casa ele rompeu em passos macios sobre o gramado o silêncio do orvalho e o seu próprio silêncio.
Flutuava mansamente o cheiro do asfalto ainda molhado da noite que serenou.
Os bueiros assopravam nevoeiros de vapor para cima e na luz amarela do sol que surgia essa a fumaça ia e parecendo confusa brilhava . As sombras ganham força sobre a calçada e sobre o gramado ao lado dos passos.
Foi descendo a rua para chegar até um outro portão. Os pensamentos fugidios e a imagem querendo sair da própria boca. Boca que vinha já tomada pelo coração que insistente disparava, como a querer sair correndo na frente.
Repentinamente se deu conta : Meu Deus, já fez um mês.
Ganhava força o medo, os pés então temiam o chão a cada espaço tomado.
Acordei e sai.
E esta voz maldita na minha frente repetindo: - Sinto muito, ela não mora mais aqui.
21 de julho de 2010
Mulher à mesa de café, Tambourin,1887- Van Gogh.
Ela esperava que ele tivesse uma atitude e ele refusava no momento certo , ela não diria nada , afinal como ela dizia: homem deve atitude de homem. O estranho é que ele não era tímido e também não era ousado.
Que cara irritante, dizia ela consigo.Pra que esperar. Ainda assim ela esperava. E sentia-se entre decepcionada e lisonjeada, muito mais este segundo sem perder para o primeiro.
Acendia mais um cigarro . Bebia mais um café,pensava
mais uma besteira qualquer...
27 de junho de 2010
Ando meio...
Enquanto estava vindo do aeroporto, dentro do táxi, pensava que talvez desta vez ao abrir a porta de casa iria encontrar aquele sentimento antigo , aquela alegria boba de quando estamos amando e estar apaixonado não é uma frase, ou palavras desconexas expelidas ao vento. Nada veio. Era tudo um fio pequeno de remorso pelo constante sexo fora do casamento.
Só as malas da viagem com roupa suja e o presente duty-free de outras viagens.Beijo, olá e abraço. Banho e sexo, banho. Nada mais.Nada mais para dar. Além do estado tedioso, spleen,que na verdade apenas demarcava aquela sua passagem insignificante pela vida. Meia idade , meio sonhador, meio careca, meio gordo ,meia ereção, classe média . O protótipo de um feliz suicida pensava ela quando deitou.
26 de maio de 2010
Eu senti que nada poderia ser diferente, ele não voltaria. Isto era fácil de entender olhando para mim no espelho. Estas rugas como não notei que estavam aqui, Ah!Como estive relaxada.Um casamento, uma vida inteira em tão pouco tempo, perdida.Como pude me calar em si mesma, estive ensimesmada, estive longe de ser quem eu sou por um período que agora me faz falta. São as mãos que estão enrugando , os olhos que estão ficando profundos, os peitos de macios para murchos.Ainda bem que ele foi embora, ou eu pus para fora , não sei ao certo, e pouco importará. Sozinha talvez eu possa, sendo a mulher que deixei de ser, eu encontre uma vida nova e mais minha, assim como estou agora de frente com este espelho.Uma vida para refletir quem eu sou e quem fui e quem quero ser.
Ainda bem que ele saiu de casa, ainda bem que ele se foi.Sem voltar.
Ainda bem que ele saiu de casa, ainda bem que ele se foi.Sem voltar.
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