Ela chegou atrasada . E isto não era normal para ela até agora. O sorriso nos lábios dela não era normal. O seu beijo estava rijo e descompassado. Foram então tomar café. Sentaram-se no lugar que parecia mais acolhedor. Ela estava calada e ele não entendia bem porque, entretanto não quis perguntar logo de cara o que estava acontecendo, talvez ele nem quereria saber. Pensou um pouco. O relacionamento ia bem desde o começo há 3 ou 4 meses, eles se gostavam, era o que ele imaginava. Então, ela, após um inspiração um pouco mais profunda, na sua segunda ou terceira frase depois de dizer - Olá e tudo bem?- disparou contra ele: -Estou grávida, e é de você...
- Então, eu quero essa criança...poxa, vai ser meu filho...
- Você é egoista.
- Nãoo, só acho que...
- Você não tem que achar coisa alguma. Eu não quero.
- Eu acredito em ter...
- Acredita em nada,porra nenhuma. Não quero essa merda pra mim. E nem venha com algum papo hipócrita e babaca.
- Eu sabia, nunca ia dar certo mesmo, cê é mimada, babaca.
- Olha meu, não te devo nada e você não me deve nada. No máximo deve um adeus. Fica asssim mesmo eu me viro.
- Então fico devendo.
Saiu. A direção não importava, muito menos onde. Foi caminhar sem rumo.
Tavares, era o apelido de escola e como o chamavam assim em todo lugar, estava caminhando pelas vielas do Passeio Público chutando areia com o bico do sapato , levando as mãos no bolso olhando vezes para baixo outra para cima. Céu azul, manhã de astral.O suor ensopava-lhe a camisa branca. Engraçado é que ele não gostava de camisa branca, entretanto naquele dia pareceu-lhe especial. Uma camisa branca de algodão.Caminhava e estava sol, mas não era o calor que o fazia suar.Na verdade a temperatura era amena naquele dia no máximo uns 22 ou 23 graus e soprava uma brisa leve constante. O sangue é que lhe fervia, os pensamentos, as lembranças.
Ela ficou e chorou um pouco antes de pagar a conta e sair.
Estava difícil carregar seu corpo enquanto caminhava, respirar era cansativo e confuso. Estava procurando uma saída,e sentia-se uma bola na mesa de bilhar,estava em um labirinto que movia-se constantemente.
Um comentário:
Grande Janier!
Olha cara, gostei. O narrador me pareceu bem realizado, as ambientações e descrições do espaço estão bacanas.
Mas eu acho que uma história como a que vc criou pede um pouco mais de aprofundamento nos personagens, saca. O narrador tinha que entrar neles, fuçar lá e achar alguma coisa.
O texto gira em torno de descrição de espaço e ambientação e de um diálogo. Pra mim, faltou um poucode psicologismo.
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