Elegia ao cocô
Oh! Aquele que outrora foi contento
Na saliva um doce ou amaro momento
que agora após a peristalse que fez o bolo
Aguarda paciente e majestoso para saires
De seu escuro cavernoso encerro.
Por vezes
Anuncia-se pelo som magnífico de trombetas
Em sonatas de odoríficos flatos.
Anúncios breves ou intermitentes
Que logo fazem fugir os presentes.
Por vezes
Louco, ensandecido, sem amarras
Se põem a espraiar numa cólica líquida
Que faz de si seu próprio maldito anúncio
Sobre as pernas do incauto homem vil
Que com misturas, bebidas e guloseimas o geriu.
Oh! Disforme alentador dos homens
Duro, mole ou aguado, sempre quente
Que equânime não enxerga pobres ou ricos
Velhos ou jovens mulheres ou homens
Todos têm o conforto ao sentar no trono patente.
E em igualdades lhes dá o profundo desespero
Quando do lado de fora da porta aguardam
tentando manter-lhe no seu encerro.
Todos sem exclusão
Com a perna encolhida e torta por dentro bradam
Se não tem mais como aprisioná-lo.