19 de agosto de 2011

Aquela puta...





Ai, que saudade daquela puta!
Daquelas noites de lua, daquele gemido fingido de prazer.
Ai, que saudades daquela puta e de seu beijo, falso e sensível
como as dores das noites e a falácia dos mendigos.
Saudade daquela puta desfilando nua no quarto, fingindo vestir uma nudez que não era dela, fantasiando ser pudenda. Nudez de mulher direita num corpo de espírito canhoto.
Saudades daquela puta vestindo lentamente a roupa fazendo de conta que não me via lá imerso em mim mesmo. Saudades daquela puta me olhando pelo espelho e pegando lentamente só o meu dinheiro.

4 de agosto de 2011

Hoje mistificando miríficas mentiras o diabo me visitou e tomou um conhaque, muito seriamente comentamos sobre os porquês das verdades.
-Verdades, meu caro, convencem somente por convenções.Disse ele entre um gole e outro.E convencer alguém do que ele acredita mesmo sem saber é simples, enganar alguém que quer ser enganado é um exercício de prazer pequeno.Por exemplo, eu sou o diabo ,meu amigo,e nem precisaria existir, mas todas as crenças levam a ordenar lados, a fé construiu minha existência.Sou grato a Deus por isso.
-Aceitar verdades ainda é pior que criá-las, não acha?Perguntei.
-Acenda seu charuto trague com força e solte com leveza, assim o sabor prolonga-se.Assenti com a cabeça e fui soltando a fumaça longamente.
Em meio a fumaça do charuto ele dizia:
-O homem cria coisas indiscutivelmente boas e abusa delas e culpam a mim pelos vícios.
-Mas aceitar verdades não é pior que crià-las?Perguntei.
-Depende de qual verdade tratamos e criamos para nós mesmos.Depende do lugar em que se está e depende do outro . O desejo de portar verdade é uma cisão perigosa entre o Eu e o outro. Vejo o caso no qual me colocaram junto à Deus, ambos fomos escolhidos para sermos maníqueistas.Quando na verdade somos a demanda de identificação dos sujeitos. O retorno de uma imagem do outro em cisão.