A sua boca me procurando no escuro, o seu olhar pelo espelho, já não parecem tão importantes. Aceitar, conviver, amar, irremediavelmente não parecem coisas importantes.
Deitado, sentado, em pé, tudo é desconforto.
Ouvir você, ouvir as pessoas é extenuante. Ao mesmo tempo recebo todos por um amor. Amor que não sinto e não vejo desde muito tempo.
Vivendo um tempo que nunca chega e nunca passa, um presente defectivo e subjuntivo, indicativo de um tumultuado vazio.
E quando penso em alguma coisa: quantas palavras ainda nos restam, quantos tracejos para escrever ou para rabiscar na linha da vida, quantos gracejos para serem feitos na ânsia de sermos queridos, lançados na incerteza, destinados ao estrangulamento que é a própria vida.
Deixe-me quero descansar.