10 de agosto de 2010

Quase sem querer




Ele falou tranquilamente num tom doce:
- Já vou. Tenho de acordar cedo...
O ambiente tornou-se silencioso. A frase ficou oscilante no ar , vazia de sentidos.
Sentiu-se atoleimado e enrubecerão as faces. Como solução levantou rápido e começou a vestir-se.
Ela falou uma frase qualquer que ele mais tarde não sabia se não ouviu ou fingiu que não ouviu. Naquele momento os segundos iam acumulando-se e pareciam horas. Quando finalmente livrou-se de vestir a roupa e por fim calçou os sapatos, levantou, enfiou as mãos no bolso e jogou o dinheiro que devia e mais algum.
Ao chegar na porta, ainda  antes de sair, observou a cama desarrumada e o sorriso frio da prostituta que já ia levantando-se e pegando o dinheiro.

Imagem by Andrew Wyeth. Helga.1978.