10 de dezembro de 2015

Mutilado




Um amigo meu fez um castelo 
e o destroçou 
e colocou o nome dele 
nos entulhos que construiu.

Tendo as mão sujas de si próprio 
extirpou-as
e com os dentes as plantou entre as pedras
onde secaram. 

Respirava a ira daquela areia
e a própria sombra desfazia de sua coragem.

Junto ao Leto  Fantasmas trançavam amarras de um barco imaginário
Ele sentou á beira do trapiche
aguardou Caronte.
-Meu amigo, a tristeza tem um coração humano.

Ele levantou-se e voltou aos pedregulhos
procurou suas mãos já podres
ressequidas e sem nenhuma vida
chutou as pedras e com a boca as recolheu.

Conservou com suas lágrimas
e retornou ...