6 de outubro de 2015

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Abrem portas da verdadeira vontade
minhas rezas não adoradas.

As minhas palavras não ouvidas como prece 
desvelam o paraíso.

Não há  magia, mentira 
ou cena 
nessa voz de amor
Thelema.

Mas,
minhas palavras orem-se:
-Tergiversa razão 
procure seu lugar
no templo sob a areia do tempo.




  






Aquela pálida Vestal olha 
do outro lado da encruzilhada.
 O vento é frio, outono,
abril.

E uma jovem jogada, nua,
morta aos pés dos amores 
eleita para o altar das dores 
aos passeios da morte solidão.

Sento-me na sarjeta para orar:
- Deus... Deusa do nada...
 divina só a inspiração.

Minha pele branca e fria, 
um templo.
 

Para ela uma reza:
- Lírio pueril,tremeluz
teus olhos plantam um jardim,
papoulas crescem de tuas pequenas mãos
eu vejo como um sol sem fim
levantares de teu caixão...






2 de outubro de 2015




Esse seu fantasma com seu cheiro, com sua presença no meu espaço, trazendo consigo a sensação do calor que vinha de você tocando em mim e aí esse filme que se repete no meu banho, na minha caminhada até o carro, na hora de comer, quando estou para levantar. 
Esse seu fantasma tem vindo constantemente me visitar, desde o dia em que você saiu e não voltou. 
E me traz ele a sua imagem em quadros e mais quadros de cenas, as quais eu nem saberia , mas, registrava ao que parece para minha própria condenação. 
O seu olhar sério e mal humorado defronte o espelho pela manhã comprimindo os lábios como reclamação por ter de levantar tão cedo. Porém, ao virar-se para o lado me tinha um olhar sorridente enquanto da cama eu te olhava semi nua. O seus sorrisos deitada no meu colo. As vezes que acomodava a cabeça em meu peito procurando conforto. As vezes em que eu estava só pensando ou fazendo algo e você vinha e me abraçava pelas costas com um sorriso nos lábios e então um beijo de ternura. 
Não é amor isso tudo, não é desse tipo de virtude, sei disso, nem quereria que fosse. Poderia vir a ser, quem saberá.  
E esse seu fantasma não deixa de me deixar aperreado. Parece impossível descolorir essa saudade. Torná-la um filme preto e branco já que todos dias assisto o colorido tomando meu pensamento como centelha que se incendeia.