2 de julho de 2015
Naquele cômodo alugado o silêncio e o pó arrastavam-se dominando o ambiente ostensivamente e paradoxalmente organizados.
Em imanente mudez ao desejo das correntes de ar o pó movia-se e o silêncio controlava o humor do inquilino, assim como tal controlava o silêncio dentro do ambiente.
Silêncio e pó tal como legiões romanas distribuíam-se por todos os lados sem deixar canto onde não estivesse um ou outro. E nas suas ações organizadas pelo acaso os movimentos lá dentro destas legiões esbranquiçadas se multiplicavam sem parar, tomando mais e mais posições. Percorrendo a extensão do lugar de ocidente para oriente criando o que parecia ser um vale único, o vale do Pó. Esta ideia onírica saíra da boca de Staub, o vale do Pó, repetiu para si abrindo a porta um dia. Pensando nisto por mais um segundo lembrou-se do Norte da Itália Piemonte , Lombardia e Vêneto, sentiu ressecada a garganta e bebeu vinho sentado na cadeira que era preta. Sentado no seu vale em pouco tempo, numa metáfora , coberto pelo pó e embebido de silêncio passou a ser parte da mobília.
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