31 de outubro de 2025

 Ao escrever procure 

Ao viver escreva.

Quando amar 

delete as razões

abra um arquivo único

crie digitais e viva sem senhas

E ame como prisão, como fuga,

bug, 

Viva uma falha, defeito ou erro 

em software ou hardware.

Quando amar 

delete as razões.

Essa voz habita o entre-lugar da existência.

Com ciência 

da própria finitude e contradição.

 Em dias assim

Nos quais o ser é inseparável de si mesmo

Eu vendo minha parte.

Eu negocio meus ossos e o meu pó.

Para alguém plantar um jardim suspenso entre o espiritual e o terreno. 



 

Evadir



Aqui divide-se meu eu.

Ando com a carta do enforcado 

dentro do bolso. 

E minhas guias no pescoço. 


Com laços e nós,

em fuga por aí

sem saber fugir de si.  


11 de julho de 2025

 

Destemido diante da sorte

Enternecido com o acaso

De quem sou eu neste momento.


E penso, penso, o peso de escolher o tempo tão incerto.

 Transito pelo passado transpassado pelo espírito que sonda o precipício.

 

A esperança molha os pés nas águas do desalento.

Os acordados não querem dormir,

os que dormem sonham com as guerras, então, não podem sonhar.

Afinal a Guerra é uma besta que se levanta

e prenha de toda humanidade 

quer parir seus filhos.

Tudo em vão, ao nascer, viver, crescer morrerão. 

Tal uns ou outros.

Sem terem nomes instituídos

nem fantasmas serão.