Talvez faça uns três anos que eles estão morando juntos, e até bem pouco tempo era muito bom para ambos. A alegria os atingira como um trem e superaram um começo como todo mundo. E assim como todo mundo o conforto de casa e do amor é tão insuficiente e desconfortável e toda aquela alegria era fundo falso, cenário de uma peça que virou monólogo de dois atores. As coisas mudaram e todo mundo admitia. Ele queria uma conversa sincera, uma conversa a qual ele não encontrava caminho. Andava incerto consigo mesmo o que o impedia de saber como chegar até isso: uma conversa sincera.
Devolvia qualquer comentário com violência moral e ela com histeria gratuita. A inconstância do humor, os comentários beirando o sarcasmo que de imediato não parecem chamar atenção, mas, com o tempo desestruturam seus ouvintes. E seguem-se os dias demasiadamente calmos entre paqueras em redes sociais e msn que não davam em nada.
Algumas vezes juntos permaneciam calados como dois curitibanos sós num ônibus. Dividindo o mesmo espaço e aparentemente seguindo para um mesmo destino, os dois de cara séria cada um em seu mundo, sem trocarem ao menos uma frase. A pergunta que diria alguma verdade ou o silêncio que constrói estórias sobre fantasias próprias não lhes daria resposta. Mas, conversar é mais complicado do que calar, fingir pra si mesmo e procurar atalhos mais complicados parece que é o caminho mais correto.
Recebeu uma mensagem do celular:
C vai aparcr?
Respondeu:
Daqui 1 hr.
Para ele algo diz que tudo acabará por dar certo partindo dos momentos mais felizes até compreender os sentidos de um beijo sem afeto. Um copo de vinho na mão, ele sabia que podia ser o melhor, ou, o pior dos homens e viver sem mais nada ou com mais de nada. Tentava encontrar coragem dentro de si em vão. Manteve-se calado. Então deu um daqueles beijos na namorada sem afeto e sabor de álcool. Pegou as chaves, a carteira e saiu pra comprar alguma coisa, cigarro talvez. Quando estava na porta ouviu: - Caio, falou ela baixo, como que chamando para dentro. Ele parou um instante na porta como que para ouvir e o silêncio venceu aos dois.
Caio foi comprar o cigarro e no caminho pensava se voltaria ou se iria ao bar. Queixava-se de não sair sozinho e sair pra encontrar outra mulher não era sair sozinho.
Quando deu por si de novo, agora, já estava vendo o sorriso dela com uma taça de marguerita nos lábios.
Voltou para o apartamento e deitou no sofá. Ligou a tevê e dormiu. No outro dia Flávia tinha saído com as coisas dela.
9 de fevereiro de 2011
8 de fevereiro de 2011
"Todo pensamento produz um lance de dados." (Sthephane Mallarmé)
Eu rezo e peço à deus, ao vento, faço minhas preces a todos os bares, praças, ruas e suas sarjetas nas quais passei grande tempo.
Entendendo que foi por acaso que acolheram a mim e as noites insones, pois não sei, como ou por que me acolheram.
Faço prece para tentar entender por um acaso, verdadeiramente ao simples acaso, que eu sou eu quando alguém desce nestas circunstâncias de naufrágio.
E na constrição de circunstâncias eternas ainda rolam os dados jogados num branco abismo.
Peço à deus, ao vento, ao leitor para que escolham por mim. E nas suas próprias circunstâncias. E rezo sem remissão e sem perdão pedindo qual é número infinito do acaso que escolhe por nós e nas suas próprias circunstâncias revela que que não sabe abolir jamais.
Entendendo que foi por acaso que acolheram a mim e as noites insones, pois não sei, como ou por que me acolheram.
Faço prece para tentar entender por um acaso, verdadeiramente ao simples acaso, que eu sou eu quando alguém desce nestas circunstâncias de naufrágio.
E na constrição de circunstâncias eternas ainda rolam os dados jogados num branco abismo.
Peço à deus, ao vento, ao leitor para que escolham por mim. E nas suas próprias circunstâncias. E rezo sem remissão e sem perdão pedindo qual é número infinito do acaso que escolhe por nós e nas suas próprias circunstâncias revela que que não sabe abolir jamais.
3 de fevereiro de 2011
2 de fevereiro de 2011
Falta
Sem você aqui as palavras começam a me faltar,
emudecendo pouco a pouco os risos nos meus lábios vão ficando raros
e bons pensamentos começam custar caro.
Tenho os lábios machucados por outros lábios
ando incerto comigo mesmo e
Espero.
Pacientemente espero,
espero resposta de perguntas que não posso fazer,
espero um dia que parece - não chegará.
ando incerto comigo mesmo e
Espero.
Pacientemente espero,
espero resposta de perguntas que não posso fazer,
espero um dia que parece - não chegará.
Eu finjo ter paciência,
finjo para mim mesmo ser um homem que desconheço.
finjo para mim mesmo ser um homem que desconheço.
The brave new world
Por que finges sempre ser
Ora ramo, ora pedra ou pássaro?
Por que estás sempre sorrindo
Como o raio que cruza o céu?
-Por que me torturas, não me toque!
Deixa-me só com minhas profecias de bacante...
Teu amor,
tua ternura:
- Vou vendê-los.
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