Mascarar é o que restou. Nenhum silêncio seria mais longo que aquele, nem poderia. Não havia como concordar. Dizer um simples sim para Clara.
Ela mentia, e isto era óbvio, e na verdade eu não me importava. Intimamente, descobria um outro meio de me dizer que Clara deixou de ser uma pessoa que me fazia acreditar.
Difícil. Eu continuava procurando. Deixando de lado, dissimulando. Dizendo frases sem profundidade, sem ambigüidades, escolhidas para não dizerem nada além das próprias palavras.
Passei a ceder. Amá-la, e assim pôde matar-me. Afinal, era o mais sensato. Mais que viver. Clara me perdia. Eu me perdia.
A palavra que me persegue eu não quero entendê-la. Digo para mim que não importa se eu fechar os olhos, e mais, se for covarde pela vida toda que me resta. Já deixei de querer entender as operações que minha mente faz. Revolta, ira, desconcerto, então novamente reconstrução e conserto. Círculos que o coração faz.