22 de julho de 2010

Abrindo o portão azul de casa ele rompeu em passos macios sobre o gramado o silêncio do orvalho e o seu próprio silêncio. 
Flutuava mansamente o cheiro do asfalto ainda molhado da noite que serenou. 
Os bueiros assopravam nevoeiros de vapor para cima e na luz amarela do sol que surgia essa a fumaça ia e parecendo confusa brilhava . As sombras ganham força sobre a calçada e sobre o gramado ao lado dos passos.
Foi descendo a rua para chegar até um outro portão. Os pensamentos fugidios e a imagem querendo sair da própria boca. Boca que vinha já tomada pelo coração que insistente disparava, como a querer sair correndo na frente. 
Repentinamente se deu conta : Meu Deus, já fez um mês. 
Ganhava força o medo, os pés então temiam o chão a cada espaço tomado.
Acordei e sai.
E esta voz maldita na minha frente repetindo: - Sinto muito, ela não mora mais aqui.

21 de julho de 2010

Mulher à mesa de café, Tambourin,1887- Van Gogh.













Ela esperava que ele tivesse uma atitude e ele refusava no momento certo , ela não diria nada , afinal como ela dizia: homem deve atitude de homem. O estranho é que ele não era tímido e também não era ousado.
Que cara irritante, dizia ela consigo.Pra que esperar. Ainda assim ela esperava. E sentia-se entre decepcionada e lisonjeada, muito mais este segundo sem perder para o primeiro.
Acendia mais um cigarro . Bebia mais um café,pensava
mais uma besteira qualquer...